domingo , dezembro 16 2018
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Osvaldão, O Guerrilheiro Imortal

Osvaldão, O Guerrilheiro Imortal

osvaldao Eu sei que você vai dizer que nunca ouviu falar deste cara, que não foi do seu tempo ou que você não acompanhava direito esta história de guerrilha do Araguaia. Mas considere apenas o seguinte: Com esta bagagem histórica aí, como é que uma pessoa ia poder ficar invisível e anônima a este ponto? 00000014 Vivemos ainda sob um governo integrado por este mesmo pessoal ligado à chamada ‘esquerda revolucionária’. Há uma penca de ex-guerrilheiros aí, famosíssimos, popularíssimos, indenizadíssimos e o pobre do Oswaldão aí, neste quase ostracismo? 0_52d0eca1-38ea-3fed-9fef-e4ea050815b0 Certo. Dá pra encontrar dados sobre ele na internet como eu achei. Até um livro, objeto da resenha que republico abaixo foi feito, mas não se trata disto. Se trata de entender como – e porque – a memória de figuras gigantes de nossa história como esta,  ficam sempre na margem entre a fama e a invisibilidade. Que parte de nossa memória se quer apagar? Afinal, Oswaldão não foi apenas mais um guerrilheiro nas selvas do Araguaia. Oswaldão comandou um dos dois batalhões, talvez tenha sido – não se esclarece isto ainda direito – o principal comandante militar daquela guerrilha trágica. Hoje, depois de ver um blog sobre os invisíveis militantes da esquerda brasileira mortos pela ditadura, sugerido pelo amigo Ras Adauto de Berlim, me bateu este grilo na cabeça. Seria nogenta a constatação, mas será impressão minha ou até mesmo a auto intitulada valorosa esquerda revolucionária do Brasil, de algum modo pratica ou respalda – pela omissão – a invisibilidade dos negros ou ‘não brancos’ mortos pela ditadura? Lembrei do Mendes Fradique, pseudônimo de um jornalista brasileiro dos anos 20, integralista, refinado satirizador dos costumes burgueses, que escreveu um impagável livro de humor (o exemplar que eu tinha, um rato ‘amigo’ surrupiou) chamado ‘História do Brazil pelo méthodo confuzo‘. Nele numa jogada modernista criou um falso índice das ‘suas‘ falsas obras no qual uma das citadas é a seguinte: DE CAMPEÃO PELO VASCO A GUERRILHEIRO NO ARAGUAIA A força dos punhos e os quase 2m de altura eram proporcionais à coragem que carregava no peito. Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, é lembrado até hoje como um dos principais integrantes da Guerrilha do Araguaia, na década de 1970. Mas antes de entregar sua vida por um ideal após o Golpe Militar, foi campeão de boxe defendendo as cores do Vasco da Gama em torneios no Rio de Janeiro. - Ele era gigante. Tinha 1,98m de altura. Um bom porte físico para a prática de esporte, mas também para ser guerrilheiro. Ele era um dos guerreiros mais conhecidos do Araguaia. Surgiram lendas de que era um guerrilheiro sobrenatural, que ficava até invisível para fugir do Exército – disse o escritor Bernardo Joffilly, autor do livro ‘’Osvaldão e a Saga do Araguaia’’. A trajetória esportiva não se resumia apenas aos ringues. Desde menino, Osvaldo ainda praticava atletismo e basquete nas horas vagas. Não por acaso, o nome do guerreiro batiza o ginásio poliesportivo de sua terra natal, o município de Passa Quatro, no interior de Minas. -Ele chegou a ser campeão de boxe amador, na categoria peso-pesado. Osvaldo praticava remo, basquete, arremesso de dardo, disco e peso – contou a sobrinha Cristina, que vive no Rio de Janeiro. Os tempos de guerrilha deixaram poucos vestígios da trajetória de Osvaldão nos ringues. Mas no acervo de memória do Vasco ainda há registros, como as fichas das lutas que o consagraram campeão do torneio Luvas de Prata de 1956. Dois duelos contra Antonio Alves da Souza, com uma derrota e um triunfo, foram o suficiente para levar o troféu. Depois de viver muito tempo no Rio de Janeiro, onde foi estudar, Osvaldo também passou um período na Europa. Passou alguns anos estudando engenharia em Praga, na antiga Tchecoslováquia, e deixou o esporte em segundo plano. - As pessoas o conhecem pouco pelo lado esportivo. Ficou conhecido pelo lado guerrilheiro. Só quem conviveu de perto sabe de toda a história esportiva. Ele era muito forte, tão forte que carregava pessoas no ombro. Vivia incentivando a molecada da cidade a praticar muitos esportes – disse outra sobrinha, Maria Elisa. A história do esportista guerrilheiro será retratada no filme ”Onde Está Osvaldão?”, com estreia prevista para junho deste ano. O longa é produzido por Renata Petta e dirigido por Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles, O mineiro nunca se tornou um grande campeão e nem ganhou outros títulos. Mas serviu de exemplo de coragem. A Guerrilha do Araguaia sofreu três operações de aniquilamento. Para a terceira, o Exército passou muito tempo se preparando com trabalho de espionagem e mapeamento da área. O grupo foi duramente atingido e, de acordo com a versão dos sobreviventes, Osvaldão foi morto por um pistoleiro em um milharal, em 1974, aos 35 anos. Para servir de exemplo e acabar de vez com o mito do guerreiro invencível, ele teve sua cabeça decepada e exposta em público. Fonte: site ‘Ao Vasco Tudo’ - See more at: http://carloslula.com/conheca-a-historia-de-osvaldao-boxeador-campeao-pelo-vasco-morto-na-guerrilha-do-araguaia/#sthash.k7V6uiOk.dpuf

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