terça-feira , setembro 25 2018
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Rua do Bom Jesus (antiga Rua dos Judeus) –Recife – PE

Rua do Bom Jesus (antiga Rua dos Judeus) –Recife – PE

DSC02750 Desde o tempo da ocupação holandesa, a Rua dos Judeus era a mais importante do bairro do Recife, possivelmente em decorrência de seu traçado natural de velha estrada, que conduzia viajantes procedentes de Olinda. Passou a se chamar Rua do Bom Jesus, a partir de 1870. Embora não se saiba a localização exata, ali teria existido um mercado de escravos africanos, registrado pelo desenhista Zacharias Wagener (1614-1668) em sua obra “Mercado de Escravos do Recife”. tumblr_marbyyrP7n1ro25zpo1_500 Essa artéria é a que se denomina hoje rua do Bom Jesus. Antes de ter esse nome foi chamada, ainda rua da Cruz e dos Mercadores. DSC_1155 A designação de Rua dos Judeus deveu-se ao fato de congregar um grande número de comerciantes judeus e de haver uma sinagoga num de seus prédios, que por sinal foi a primeira existente no Novo Continente. rua-do-bom-jesus No seu início ficava o Arco do Bom Jesus, que era a Porta Norte da cidade, local onde Antônio Fernandes Vieira recebeu as chaves da cidade, das mãos do comandante das tropas holandesas, após a rendição dos batavos. dsc01026 Embora o Recife fosse uma cidade à beira-mar, não havia sistema de esgotos à época retratada pela gravura antiga e as águas servidas eram atiradas de cima dos prédios comerciais,onde moravam empregados e familiares dos comerciantes. Do mesmo modo, os dejetos humanos eram armazenados em tinas de madeira, denominadas "Tigres", que eram levados pelos escravos para serem jogados na maré, ou em locais pré-determinados. Esses tigres, muitas vezes quando evelheciam, quebravam-se durante o transporte e o materiaí nele contido se derramava pela rua, infectando a cidade e, como resultado, grassou a cólera-morbo no Recife entre 1856 e 1859, ceifando mais de 3.000 vidas humanas.   Visando a corrigir esse caos, assinou-se em 1858 um contrato com o engenheiro francês Charles Cambronne, que se encarregaria de promover o escoamento das águas servidas através de canos de ferro, ou de grés até a maré e confeccionaria caixas metálicas para depósito dos excrementos humanos durante 15 dias, para cada casa com 10 pessoas. Essas caixas, denominadas de "latrinas inodoras" seriam recolhidas de 15 em 15 dias e devolvidas íimpas às residências. A empresa do Engenheiro Cambronne também seria responsáveí pelo transporte de lixo, Esse projeto não chegou a se cumprir e o povo, em sinal de protesto, passou a chamar de cambrone às latrinas inodoras que haviam sido prometidas como solução do problema sanitário da cidade, que só foi resolvido com a Recife Draynage, cuja estação coletora ficava nas Cinco Pontas, em prédio que ainda hoje existe. A Recife Draynage foi inaugurada em 1871, contando inclusive com a presença do Imperador D. Pedro II, que passava por essa cidade, a bordo do paquete inglês "Douro", com destino à Europa. Com o crescimento da cidade, entretanto, a Recife Draynage declarou-se incapaz de melhorar seus serviços, obrigando o Dr. Otávio de Freitas a fazer um relatório ao Governador Barbosa Lima, em 1893, criticando as precárias condições de higiene da cidade. Diante disso, a firma Manoel Tapajós foi consultada para fazer um novo saneamento para a cidade. Havida a concorrência, o governador Sigismundo Gonçalves a anulou, sob a alegação de que os preços eram muito altos. Contrapondo-se ao fato, Dr. Otávio de Freitas disse que o descaso dos governos para com o saneamento era responsável pelas 109 epidemias sofridas em apenas 54 anos, na cidade. Apesar dessa forte argumentação, somente no governo de Herculano Bandeira é que a repartição de Obras Públicas assumiu a tarefa de sanear o Recife, valendo-se da experiência do Dr. Saturnino de Brito, que acabara de sanear a cidade de São Paulo. Finalmente, a 12 de dezembro de 1915 o Recife passou a ser dotado de um moderno sistema de saneamento. Como se vê na foto de hoje, a rua dos Judeus, ou do Bom Jesus, como se denomina atualmente, continua muito próxima do que foi outrora. A sinagoga, já não mais existe e o Arco do Bom Jesus também se foi desde 1850. Mas, quando se passa por ela ainda se respira no ar o frenesi do que foi o comércio naquela rua, nos tempos do Brasil Colônia.

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