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MUSEU DO NEGRO – Cafua das Mercês – São Luís – MA

MUSEU DO NEGRO – Cafua das Mercês – São Luís – MA

Construído em meados do século XVIII, na Praia Grande, antigo bairro das casas comerciais do Maranhão, a Cafua das Mercês era o antigo mercado de escravos que servia para receber os africanos que desembarcavam no Portinho e ali mesmo eram vendidos.

O prédio possui fachada em estilo colonial com apenas uma porta principal cercada de seteiras que serviam como as únicas entradas de luz e ventilação. Hoje no local funciona o Museu do Negro, um espaço destinado à preservação da memória da presença africana no Maranhão.

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Foi-se o tempo em que os museus eram vistos apenas como meros depósitos de quinquilharias e coisas velhas. Hoje, estes espaços são verdadeiros guardiões da história de um povo e atraem diariamente centenas de pessoas para visitação.

Em São Luís, um desses espaços é a Cafua das Mercês ou Museu do Negro, que abriga atualmente o centro de preservação da memória do negro. A casa dispõe de um acervo que conta um pouco da história da vida árdua imposta aos escravos que viveram em nossa cidade nos fins do século XVIII.

Entre a variedade de peças expostas no museu, destacam-se os objetos de culto utilizados em cerimônias religiosas como estatuetas, cabaças, cachimbos e parelhas do tambor de mina. Também são preservados instrumentos de suplício que fazem lembrar o sofrimento por qual passavam os negros vindos da África aportados no Maranhão – a citar o vira-mundo, pedaço de madeira retangular, aberto em duas metades, com buracos, onde se colocavam os pulsos e tornozelos dos escravos e que se fechava com um grande parafuso ou cadeados dispostos em uma das extremidades. Palmatórias, utilizadas como método pedagógico e de tortura, gargalheiras de ferro e adornos diversos também integram o acervo permanente do museu.

No pátio interno da Cafua, revestido de cantaria e cercado por um alto muro de pedra, existem um par de pedras de mó (parte do moinho responsável pela trituração de grãos) e uma réplica do Pelourinho que ficava localizado em frente à Igreja do Carmo, construída por ocasião da fundação do museu, cujo original foi destruído quando da Libertação dos Escravos, ocorrida em maio de 1888.

No pavimento superior, hoje, uma exposição de máscaras, estatuetas e indumentárias africanas compradas recentemente pelo Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM) completam a coleção da casa de cultura. São mais de 20 peças de grupos Baule, Melinke, Dogon, Punu e Senufo, entre outros, talhadas em madeira ou feitas a partir de contas e fibras vegetais.

Para a chefe da Divisão de Museologia do Estado, Concita Monteiro, a Cafua das Mercês não é somente um espaço de preservação da cultura local, mas principalmente de comunicação desta memória, a ponto de o visitante se identificar com o museu. “Ao entrar nestes ambientes nos tornamos sujeitos da história, pois este é um lugar de transformação da sociedade”, afirmou. Segundo a historiadora, diferente dos turistas, o maranhense infelizmente ainda não foi despertado para a visitação de espaços museológicos.

Casarão era ponto para a venda de escravos

Localizado na Rua Jacinto Maia, num bairro outrora de tradição comercial, o pequeno sobrado da Cafua das Marcês – palavra originada do dialeto banto, e que significa cova, caverna, lugar escuro e isolado – foi testemunha do sofrimento vivido pelos escravos, em sua maioria, descendentes africanos. De fachada uniforme e dois pavimentos no estilo colonial, mantendo características arquitetônicas originais, na Cafua não existiam janelas, apenas seteiras únicas aberturas para a entrada de luz e para a ventilação, o que demonstrava as condições opressoras e indignas de como viviam os negros em tempos do Império.

Ali funcionou o mercado de escravos de São Luís, uma verdadeira praça de leilões de negros. Eles desembarcavam no Portinho e seguiam para o sobrado onde ficavam amontoados em pequenos quartos para depois serem expostos com uma placa pendurada no pescoço indicando o seu preço, à espera de um comprador. A Cafua foi adquirida pelo Governo Estadual em 1970, restaurada e aberta às visitações dois anos mais tarde, quando foi inaugurado o Museu do Negro, em 5 de fevereiro.

Visite:
Cafua das Mercês – Museu do Negro
Onde: Rua Jacinto Maia, 54, Praia Grande, ao lado do Convento das Mercês
Visitação: Segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Entrada franca

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