domingo , dezembro 16 2018
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Neuza Maria Alves da Silva

Neuza Maria Alves da Silva

Neuza Maria Alves da Silva Neuza Maria Alves da Silva

Educadora e primeira Desembargadora Negra do Brasil.

Também conhecida com Neuza Pioneira e nascida em um cortiço em Salvador, no bairro de Tororó, jamais foi reconhecida pelo pai, a quem viu esporadicamente até os quatro anos de idade. Em toda sua trajetória contou com o apoio e incentivo da mãe, mulher de “poucas letras”. Dentre os muitos obstáculos que precisou superar aquele vivenciado aos 14 anos, destaca-se em sua narrativa, como o episódio que lhe permitiu perceber a exclusão social da qual são vítimas muitas mulheres e homens negros/as: ninguém a escolheu como par na quadrilha da igreja. Aluna de escolas públicas durante toda sua trajetória escolar, após a conclusão do curso de formação de professores/as - magistério-, onde ingressou ao completar o ginasial, prestou o vestibular para a Universidade Federal da Bahia, tornando-se aluna do curso de Direito, concluído em 1974. Posteriormente fez especialização em Direito Processual, na Fundação Faculdade de Direito do Estado da Bahia e em Direitos Humanos pela Universidade Estadual da Bahia – UNEB, em convênio com a Escola do Ministério Público do Estado da Bahia. Durante treze anos exerceu a advocacia: cinco em uma empresa de Consultoria Tributária e mais de oito como advogada da Rede Ferroviária Federal, na Bahia, de onde se desligou após ser aprovada em primeiro lugar, em concurso público realizado em 1988, para o cargo de Juíza do Trabalho. Aqui, entretanto, permaneceu apenas dez meses: aprovada em novo concurso público, tornou-se Juíza Federal, atividade que desempenhou com dignidade por 17 anos. Além de exercer diversos cargos em sua área, destacou-se também, na Associação dos Juízes Federais do Brasil, seção da Bahia, bem como, no Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher – CDDM/BA, onde permaneceu durante dois anos. A posse no cargo de Desembargadora Federal, tornando-se assim a primeira mulher negra a ocupar tal posto no país, ocorreu em 2004, após ter seu nome escolhido em lista tríplice apresentada ao Presidente da República. Seu envolvimento e preocupações constantes com as oportunidades e direitos relacionados à construção da plena cidadania feminina e dos afro-descendentes, fazem com que, apesar dos muitos compromissos próprios do cargo quer ocupa, possa ser encontrada proferindo palestras em eventos organizados por entidades sociais. Em 2008, doutora Neuza recebeu da Câmara de Vereadores da Salvador, a comenda Maria Quitéria, como reconhecimento a sua atuação e pioneirismo, em um país historicamente marcado pela ausência de oportunidades, sobretudo, aquelas oferecidas a mulheres negras e pobres.

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