domingo , dezembro 16 2018
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A beleza dos Povos Surma e Mursi, uma cultura em perigo, no sul da Etiópia

A beleza dos Povos Surma e Mursi, uma cultura em perigo, no sul da Etiópia

diegoarroyoethiopiaone9 tribos_surma_mursi_Hans_silvester_39 Enquanto milhares de seres humanos se cadastram para viajar a Marte sem passagem de volta, as tribos Surma e Mursi vivem em um estágio muito comparável ao Mesolítico. Estes indígenas do sul da Etiópia, que vivem principalmente do pastoreio de grandes rebanhos de gado no vale do Omo, também se dedicam à agricultura de cereais, sorgo, milho e sobretudo são coletores de mel. Calcula-se que restam uns 9.000 indígenas Mursi e uns 45.000 Surma. Seu alimento é baseado no leite e carne de suas vacas, os cereais que cultivam e do próprio sangue das vacas que extraem espetando-as em uma veia. As vacas também são o padrão comercial. O pai, proprietário do rebanho, presenteia 30 vacas à cada filho quando se casam. Nas numerosas famílias os mais jovens costumam ficar sem este dote e têm que recorrer a outro tipo de recursos, normalmente bastante irregulares, para conseguir seu dote. Sendo a vaca tão importante não é incomum que ali também soprem suas vaginas para aumentar a produção de leite Em uma prática imemorial enfeitam-se, cotidianamente, com espetaculares penteados realizando também incríveis pinturas em seus corpos com pigmentos naturais extraídos de minerais e vegetais, que ademais tem uma segunda função como repelente de insetos ao misturar as tintas com cinza e urina de gado. Suas pinturas representam desde desenhos abstratos até padrões de cores das flores que formam uma deslumbrante variedade em todo o corpo, em uma expressão cultural mais elementar para eles que a própria música ou a dança. Consideram sua imagem como algo abstrato e pintam o corpo duas ou três vezes ao dia, como se mudassem de roupa em uma particular forma de sedução, de expressar seu estado de ânimo ou seu orgulho. As escarificações e mutilações que se infligem são também sinais de elegância, de força e de valor. Os Surma usam discos de abóbora ou pratos de argila incrustados em seus lábios e nas orelhas, que no caso das mulheres resultará em um dote matrimonial -normalmente em cabeças de gado- diretamente proporcional ao tamanho usado. Terminada a colheita os jovens Surma competem em lutas bastante violentas, com bastões de madeira como armas, que são conhecidas com o nome de "Donga". Com ela demonstram sua masculinidade, saldam picuinhas pessoais ou lutam para conseguir uma esposa. Os participantes competem de dois em dois e vão sendo eliminados até que só resta o vencedor do torneio. Os jovens Mursi também participam desta tradição.É costume entre as duas tribos elaborar uma bebida alcoólica bem parecida à cerveja que é feita a base de sorgo fermentado. Falam o suri e vários dialetos, como o tirma e o chai.A maioria dos indígenas conservam um temperamento belicoso. Lutar contra outras tribos sempre foi uma constante em toda sua história e alternam períodos de guerra com outros de paz. Se acontecem tensões muito graves, os Jalaba, conselho de homens de mas idade do povoado, são os responsáveis por tomar as decisões e ditar as leis de convivência. Se acontecem confrontos com outras tribos, uma delegação desses mesmos idosos se reúne com a delegação da outra tribo e negociam as soluções para alcançar a paz. A cultura milenar destes indígenas encontra-se atualmente em grave perigo já que estão sendo obrigados a renunciar, sem nenhum tipo de compensação, a suas terras no Parque Nacional do Omo, por servidores públicos do Governo segundo denúncia da ONG "Native Solutions to Conservation Refugees". Assessorados por eles, os Mursi declararam seu território como zona comunitária de conservação começando um projeto comunitário de turismo para o qual criaram sua própria página na internet, a Mursi Community. Por outra parte está em projeto a construção da represa Grupos defensores do meio ambiente locais e internacionais como a organização de defesa dos povos indígenas Survival International denunciaram graves impactos negativos tanto sociais quantos ao meio ambiente e estão criticando bastante a avaliação da obra. Stephen Corry, diretor da organização de direitos indígenas, Survival International, disse que a represa Gibe III será um desastre de proporções cataclísmicas para os povos do Vale do Omo. Sua vida e sustento serão destruídos, só alguns têm uma ideia do que lhes espera. Segundo ele, o governo violou a constituição da Etiópia e o direito internacional no processo de apropriação.Notícias ruins à parte, fascinado pelas tradições destes povos, o fotógrafo Hans Silvester dedicou quase 6 anos para conhecê-los e refletir em seus geniais fotografias os espetaculares adornos e extraordinárias pinturas que embelezam o corpo dos indígenas com um olhar muito especial e íntimo para uma cultura que pode estar a ponto de se extinguir. Para facilitar a integração contratou os serviços de uma guia etíope, Moulou, cujos conhecimentos e respeito pelas etnias e seus conselhos resultaram vitais. Para evitar os perigos que supõem para o homem ocidental a comida indígena e a própria água, Moulou aconselhou Hans a contratação de um cozinheiro, que ademais serviu para estabelecer laços sociais com os indígenas com os quais iam se encontrando. Normalmente o primeiro contato com as tribos era estabelecido ao redor de uma comida compartilhada, sentados todos no chão e utilizando as mãos e dedos como utensílios e talheres.Hans Silvester é um fotógrafo e militante das causas relacionadas a defesa do meio ambiente nascido em Lorrach, Alemanha, em 1938. Sua ampla obra inclui o estudo de regiões de todo mundo, França, América Central, Japão, Portugal, Egito, Tunísia, Hungria, Peru, Itália e Espanha durante os anos 1960 e 1970. Mas tarde dirigiu sua atenção para os estragos da desflorestação no Amazonas.Hans Silvester é um fotógrafo e militante das causas relacionadas a defesa do meio ambiente nascido em Lorrach, Alemanha, em 1938. Sua ampla obra inclui o estudo de regiões de todo mundo, França, América Central, Japão, Portugal, Egito, Tunísia, Hungria, Peru, Itália e Espanha durante os anos 1960 e 1970. Mas tarde dirigiu sua atenção para os estragos da desflorestação no Amazonas.A obra de Silvester, das quais fazem parte estas fotografias que ilustram o artigo, foram exibidas em numerosas galerias de arte pelo mundo todo. Suas fotografias já foram objeto de quase 50 livros sendo o mas recente "Natural Fashion: Tribal Decoration from Africa" publicado em 2009.

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